"Não Podemos Acreditar em Jesus e Promover a Guerra": Leão XIV Inaugura a Torre de Jesus Cristo na Sagrada Família

Um gesto que vale mil palavras

Na tarde de 10 de junho de 2026, o Papa Leão XIV presidiu a missa de inauguração da Torre de Jesus Cristo na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona. Com 172,5 metros de altura, a torre é agora a mais alta da Espanha e a última das 18 torres do monumental templo projetado por Antoni Gaudí — concluída exatamente no ano do centenário da morte do arquiteto, em 10 de junho de 1926.

A celebração reuniu milhares de fiéis, além do rei Felipe VI, da rainha Letízia e do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Mas o centro não foi o aparato institucional: foi a palavra do Papa.

“Não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra”

No homília, Leão XIV foi incisivo. Diante de uma das obras de arte sacra mais celebradas do mundo — uma basílica inteira dedicada à Sagrada Família, à vida, à ressurreição —, o Pontífice afirmou com clareza: “Não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra.”

A declaração se insere em um fio condutor que atravessa o pontificado de Leão XIV: a incompatibilidade radical entre a fé cristã e qualquer forma de violência contra inocentes. Já na encíclica Magnifica humanitas, publicada em maio, o Papa havia dedicado um capítulo inteiro à superação da teoria da “guerra justa” como justificativa para conflitos armados.

Ao abençoar a torre coroada por uma cruz luminosa, Leão XIV disse que o monumento deve ser visto como símbolo de esperança, não apenas como conquista arquitetônica. Uma cruz no alto da cidade: não como poder, mas como apelo.

O centenário de Gaudí

A data escolhida para a inauguração não foi aleatória. Exactamente 100 anos antes, em 10 de junho de 1926, Antoni Gaudí morria atropelado em Barcelona — pobre, irreconhecível, a caminho da missa. O arquiteto catalão, cujo processo de beatificação está em curso, deixou na Sagrada Família sua obra mais amada: um livro de pedra sobre a fé, a criação e a ressurreição.

Leão XIV, ao inaugurar a última torre, concluiu simbolicamente o que Gaudí iniciou e nunca viu terminado. Um diálogo entre gúneros, um ato de continuidade histórica na Igreja.

Fé, arte e missão: o que esse gesto diz à Igreja

A Sagrada Família é, antes de tudo, uma catequese visual. Cada detalhe de sua fachada, cada torre, cada figura esculpida é teologia expressa em pedra. Gaudí acreditava que a beleza é um caminho para Deus — e construiu uma basílica inteira sobre essa convicção.

Esse encontro entre fé, razão e beleza é um dos temas que a Faculdade Vicentina cultiva em seus cursos de Filosofia e Teologia. Compreender a arte sacra, a estética teológica e a relação entre criação artística e missão evangélica é parte da formação integral que a FAVI oferece a seminaristas, religiosos e leigos.


Fontes:
Vatican News — Leão XIV na Sagrada Família

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