Uma decisão significativa
Durante a 119ª reunião do Conselho Permanente da CNBB, realizada esta semana em Brasília, os bispos do Brasil aprovaram a proposta de criação de um Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial. A iniciativa é resposta direta aos desafios que a IA coloca para a evangeélização, para a comunicação eclesial e para a formação católica no Brasil.
A decisão não é isolada. Ela se insere em um contexto mais amplo: a publicação da encíclica Magnifica humanitas por Leão XIV, o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais dedicado ao tema da IA, e um momento em que a tecnologia redesenha as formas de comunicação, formação e relação humana em escala global.
O que a Magnifica humanitas já disse
A primeira encíclica de Leão XIV, publicada em maio de 2026, colocou a inteligência artificial no centro do debate ético da Igreja. O documento não condena a tecnologia — mas exige que ela seja avaliada à luz da dignidade humana, da solidariedade e do bem comum.
Para o Papa, a IA pode ampliar as capacidades humanas ou reduzi-las, dependendo das escolhas que a sociedade fizer. A Igreja, nesse contexto, tem a responsabilidade de oferecer uma perspectiva que não é nem tecnofobia nem entuésiasmo acrítico — mas discernimento fundamentado na fé e na razão.
O que os bispos estão discutindo
Além do Grupo de Trabalho sobre IA, o Conselho Permanente debateu os preparativos da Campanha da Fraternidade 2027, a Campanha para a Evangelização 2026 — cujo lema é “Eu vos anúncio uma grande alegria” — e o Ano Missionário Nacional. Também foram apresentados os novos membros da Comissão Nacional de Presbíteros (CNP).
O conjunto dessas discussões revela uma Igreja que tenta ser fiel à sua missão em um mundo que muda com velocidade crescente. E que reconhece que acompanhar esse mundo exige mais do que adaptação superficial — exige formação sólida, pensamento crítico e enraizamento na tradição.
O papel da formação acadêmica
A criação de um Grupo de Trabalho sobre IA na CNBB é também um sinal para as instituições de ensino católico. A Faculdade Vicentina, com seu portfólio de pós-graduações em Ética e Direitos Humanos, Comunicação Católica, Filosofia Tomista e Teologia Bíblica, oferece as bases intelectuais e teológicas necessárias para esse discernimento. Pensar a IA com seriedade católica exige exatamente o tipo de formação que a FAVI propõe.
Fontes:
CNBB — Conselho Permanente da CNBB debate impactos da inteligência artificial, missão e campanhas da Igreja no Brasil
CNBB — Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 2026-2032