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O segundo dia do XXXIX Simpósio de Filosofia e do V Simpósio de Teologia da Faculdade Vicentina contou com as contribuições de dois renomados professores convidados. Veja a programação completa aqui.

A primeira conferência desta manhã, de 24 de outubro, foi ministrada pela Dra. Cineiva Campoli Paulino Tono, fundadora do Instituto Tecnologia e Dignidade Humana e membro da Comissão da Criança e do Adolescente na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PR). A partir de sua experiência como educadora, doutora em Tecnologia e Sociedade (UTFPR), mestre em Educação (UFPR) e especialista em Informática na Educação, Dra. Cineiva abordou a relação entre a tecnologia e a dignidade humana. Fala esta complementada pelas considerações do Ms. Eli Carlos Dal’Pupo, professor da Faculdade Vicentina e arguidor da palestra.

Após o intervalo, Dr. Cesar Candiotto – professor da Pós-Graduação em Filosofia e do Mestrado em Direitos Humanos e Políticas Públicas da PUCPR e docente convidado pela Universidade de Lille, na França, e pela Universidade Católica de Moçambique – conduziu a conferência intitulada “A luta pela verdade em torno da política”. Às reflexões do palestrante, somaram-se as colocações do professor Dr. Aluísio M. von Zuben, que integra o corpo docente da FAVI e mediou o debate.

A programação deste dia também contou com dois momentos culturais: a apresentação de violino com os alunos Kevin de Mattos Ganz e Rodrigo Victor, acompanhados pela professora de música Ana Caroline de Paula; e a performance do coral MP Encanta, regido pela mesma professora.

A equipe de organização do Simpósio informa que ainda é possível fazer inscrição e participar das atividades planejadas para os próximos dois dias. Basta comparecer à Faculdade Vicentina na hora da palestra escolhida, realizar o cadastro e o pagamento da taxa de inscrição na entrada do auditório. A FAVI está localizada na Rua Jaime Reis, 531 (acesso também pela Rua dos Presbíteros, 60).

Clique aqui e saiba mais sobre o trabalho realizado pelo Instituto Tecnologia e Dignidade Humana.

Fotos: Geovanni C. De Luca


Na manhã desta terça-feira (23 de outubro), o auditório da Faculdade Vicentina sediou o primeiro dia do XXXIX Simpósio de Filosofia e do V Simpósio de Teologia – evento organizado pelos alunos do Centro Acadêmico, com o auxílio do corpo docente, e que tem como tema central: “Pós-verdade e dignidade humana”.

A mesa de abertura foi composta pelas seguintes autoridades: Pe. Ilson Luís Hubner (diretor geral da FAVI), Pe. Francisco Javier Álvarez Munguía (assistente geral da Congregação da Missão, que veio de Roma para uma Visita Canônica); Pe. Odair Miguel dos Santos (provincial da Congregação da Missão Província do Sul), Dom Celso Marchiori (bispo da Diocese de São José dos Pinhais) e Felipe Teider de Godoi (presidente do Centro Acadêmico Vicentino de Filosofia - CAVIF).

Em seu discurso, Pe. Ilson acolheu a todos os presentes e ressaltou que “vivemos tempos desafiadores para o pensar e o dialogar”. E completou: “Somos uma instituição de ensino que se abre ao diálogo. Formamos homens e mulheres dispostos ao diálogo com o próximo e com o mundo. Dispostos a dialogar com o tempo presente e com os desafios deste tempo”. Clique aqui para ler o discurso de abertura completo.

“Com muita alegria, aceitei o convite para este evento, sendo para mim também um momento de muito aprendizado”, contou Dom Celso, destacando a importância de oportunidades como esta no ambiente universitário, com participação da comunidade e de profissionais de diferentes áreas. “Necessitamos de interações entre os saberes para construção e ampliação do conhecimento”.

“Neste ano, temos o desafio de pensar as complexas relações entre as diversas realidades que existem no mundo. (...) Desejamos, ardentemente, que os temas escolhidos possam proporcionar uma reflexão filosófica, teológica e, também, social”, disse o aluno Felipe, representando toda a equipe de organização.

Dom Celso e Pe. Javier participaram, ainda, da mesa redonda intitulada “Teologia e dignidade humana”, acompanhados dos professores Antonio Carlos da Costa Coelho (especialista em tradição judaica) e Pe. Joachim Andrade (doutor em ciência da religião).

Após o intervalo, os participantes puderam apreciar uma apresentação do maestro Eli Siliprandi e da solista Daniela Livramey. O número musical foi seguido pela fala da advogada Letícia Viviane Picão, especialista em direitos humanos (que substitui a fala da Dra. Edna Torres Felício Câmara, que não pôde comparecer).

Ainda é possível fazer inscrição e participar dos demais dias do evento. Basta comparecer à Faculdade Vicentina na hora da palestra escolhida, realizar o cadastro e o pagamento da taxa de inscrição na entrada do auditório. Confira a programação completa.

Fotos: Geovanni C. De Luca

Confira a reportagem veiculada pela TV Evangelizar, sobre o evento:

Na manhã de 9 de outubro de 2018, a Educação Vicentina - Província de Curitiba, a Faculdade Vicentina (FAVI) e a Casa de Acolhida São José promoveram o Seminário Conectando Solidariedade, com o tema “Educação e pessoas em situação de rua”. A atividade aconteceu nas dependências da FAVI, em Curitiba (PR). E faz parte do projeto pedagógico-pastoral Conectando Relações, dinamizado pela Educação Vicentina na Província de Curitiba neste ano.

Além dos integrantes da Casa de Acolhida São José, estavam presentes: participantes de movimentos sociais relacionados à população em situação de rua, alunos e professores da FAVI e estudantes no 9º ano da Escola Vicentina Nossa Senhora das Mercês, de Curitiba; da Escola Vicentina Sagrado Coração de Jesus, de Araucária; e do Colégio Vicentino São José, de Curitiba – proporcionando uma reunião de saberes e experiências entre a comunidade, a educação básica e o ensino superior.

O que nos une é o amor

IMG 7749“Olhar para o próximo é a essência do nosso carisma vicentino, que perpassa as dimensões humana, social e educacional, na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e colaborativa”, lembrou Pe. Ilson Luís Hubner, diretor geral da Faculdade Vicentina, na abertura do encontro.

Ao contar como foi o processo de organização do Seminário, Ir. Suzane Tizott disse: “Começou como uma proposta pequena, mas chegamos aqui com mais de 100 pessoas. Mais que realizar um evento, estamos aqui para pensar uma situação. (...) O que nos une é o verbo amor”.

“Motivados/as pelo carisma comum que compartilhamos – o carisma vicentino – a proposta foi relevante à medida que oportunizou um encontro proativo entre as novas gerações e um dos grupos mais vulnerabilizados da sociedade atual, que é a população em situação de rua. Isso expressa um elemento essencial do carisma, que é a constatação de que o serviço aos pobres não é um discurso, mas uma aproximação real dos irmãos/ãs cuja pobreza tem nome, endereço, causas e consequências. Sensibilizar para a alteridade solidária é uma das vias irrenunciáveis da missão vicentina hoje, particularmente no que concerne à educação”, explica Irmã Raquel de Fátima Colet, uma das organizadoras do Seminário.

Panorama nacional da população em situação de rua

Para abordar o olhar sociológico sobre o tema, professor André Langer, doutor em Sociologia que integra o corpo docente da FAVI, apresentou um panorama nacional sobre a população em situação de rua. De acordo com um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), do ano passado, estima-se que atualmente mais de 100 mil pessoas estejam nesta situação no Brasil – e este número pode ser ainda maior, devido à dificuldade de contabilizar e acompanhar o crescimento deste grupo anualmente em números reais. O professor também falou sobre expressões utilizadas para se referir às pessoas que estão nesta situação e o preconceito que carregam, sobre estarem economicamente e socialmente marginalizadas, sobre o perigo de se associar pobreza a valores sociais e sobre a violência (física e simbólica) a que estão expostas diariamente. “A simples existência de pessoas em situação de rua é uma prova de nossa insensibilidade enquanto sociedade, da falta de solidariedade que ainda existe no mundo”, refletiu.

Professor Flávio Souza, da Educação Vicentina, ressaltou a importância deste assunto fazer parte de um programa pedagógico e lembrou que educar também é mobilizar para a ação. “Ninguém se mobiliza sem conhecer, sem compreender que a realidade pode ser transformada. A educação ajuda a construir mediações entre o que nós sonhamos para a sociedade e o que podemos tornar realidade”, disse. “Na educação vicentina, não fazemos as coisas para as pessoas, mas sim com as pessoas”.

IMG 7834Carlos Alberto, integrante do Movimento Nacional da População de Rua, contou sua história de vida e destacou a importância das parcerias e da participação popular, para ajudar a cobrar políticas públicas: “O que a gente quer é que os serviços públicos funcionem, que os direitos sejam respeitados. Que as pessoas tenham uma vida digna. Essas pessoas não estão na rua porque querem, alguma coisa aconteceu”.

Tomás Melo, antropólogo e integrante do Instituto Nacional de Direitos Humanos da População em Situação de Rua (INRUA), expôs como é recente a mudança na legislação relacionada à população de rua e lembrou da história do Índio Galdino, um caso que ficou mundialmente conhecido na área de direitos humanos. Também convidou os estudantes à reflexão sobre o número de desempregados no país e a dificuldade de competitividade entre uma pessoa que tem um lar para morar e outra que não tem, que já está em desvantagem.

Em seguida, todos os presentes foram convidados a participar de uma intervenção musical – com o Hino do Povo da Rua, cantado pelos frequentadores da Casa de Acolhida São José – e de um lanche de confraternização.

Experiência para a vida toda

“Destacaria o fato de ter sido um evento que foi pensado e gestado por muitas mãos, numa parceria efetiva entre os organismos envolvidos. Da parte da Educação Vicentina, o seminário foi ponto de chegada de diálogos e interações que vem acontecendo entre a comunidade educativa das Instituições Vicentinas desde abril. Os/as educandos/as dos 9º anos que participaram, por exemplo, já vêm refletindo sobre o tema há algumas semanas e certamente o retomarão em sua instituição local junto com os/as educadores/as responsáveis. Isso possibilita que a proposta também seja um ponto de partida para novos olhares e atitudes enriquecidas pela experiência feita”, complementa Ir. Raquel.

Fotos: Geovanni C. De Luca

No último mês, Léo Peruzzo, professor do curso de Filosofia da FAVI, ministrou duas conferências em eventos internacionais. A primeira das conferências ocorreu no 3º Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Filosofia, realizado em Covilhã, Portugal, entre nos dias 6 e 7 de setembro. Na ocasião, o professor Peruzzo apresentou algumas interlocuções a respeito da relação entre linguagem e realismo científico, mostrando de que modo tais implicações repercutem no âmbito epistemológico.

Foto 2 Prof. Leo PeruzzoNo segundo momento, realizou conferência na Universitat de València (fundada em 1499), a convite do Prof. Dr. Paulo Busato (UFPR-FAE) e do Prof. Dr. José Cussac (Universitat de València). Nesta, o tema foi "Linguagem, Intencionalidade e Textura Aberta do Direito: da dogmática penal à crítica da linguagem". O evento é organizado, entre outras razões, para pensar as contribuições do Prof. Dr. Tomas Salvador Vives Antón, catedrático de Direito Penal da mesma Universidade e autor da "teoria significativa da ação". Vives Antón, que esteve em Curitiba no último ano, é magistrado emérito do Tribunal Constitucional espanhol, tendo desenvolvido suas contribuições no Direito Penal a partir da filosofia de Wittgenstein.

Foto: Freepik - rawpixel.com

O fenômeno das chamadas fake news é um tema muito atual, que tem feito parte do dia a dia da população, muitas vezes até sem que as pessoas percebam. E para abordar a questão, não basta um olhar puramente técnico. É necessário pensar também na formação humana dos cidadãos, em educação básica e na relação entre quantidade e qualidade de informação, entre tantos outros aspectos que fazem parte deste contexto. Para tratar do tema, com considerações a partir das áreas de estudo do Direito e da Tecnologia, bem como suas implicações para a sociedade, a Faculdade Vicentina convidou a professora Dra. Cinthia Obladen de Almendra Freitas para uma entrevista.

Prof. Cinthia Freitas PUCPRCinthia possui graduação em Engenharia Civil, pela Universidade Federal do Paraná; mestrado em Engenharia Elétrica e Informática Industrial, pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná; e doutorado em Informática, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). É professora da PUCPR, nos cursos de Direito e Ciência da Computação. Já atuou como docente do Programa de Pós-Graduação em Informática da mesma instituição e, atualmente, integra o corpo de professores do Programa de Pós-Graduação (Mestrado/Doutorado) em Direito. Tem experiência nas áreas de Informática e Direito, atuando principalmente nos seguintes temas: Direito e Tecnologia, Direito e Internet, Direito Eletrônico, Direito Digital, Novas Tecnologias, Contratos Eletrônicos, Direito do Consumidor, Direito de Autor, Sociedades (Informação, Tecnológica, Consumo), Consumo e Meio Ambiente, Consumo Consciente e Sustentável.

Confira a entrevista com a professora:

FAVI - Como podemos definir as fake news? E o que elas representam no nosso contexto atual?

Prof. Cinthia - As fake news, se formos traduzir literalmente, são notícias falsas. E este fenômeno é tão sério, que a expressão foi escolhida para representar o ano de 2017. A palavra de 2016 foi pós-verdade. E, mais recentemente, foram as fake news, por causa das eleições do Trump nos Estados Unidos. A ideia das fake news é, de alguma forma, criar informação – e essa informação em formato de notícia, o que dá um caráter visual de veracidade para quem acessa, recebe ou visualiza – mas que traz dados que não são verdadeiros. Isso pode ser desde um texto sobre determinado alimento que faz bem ou faz mal, até em situações de eleições, se um candidato é bom, se a proposta é boa, se ele está melhor ou pior nas pesquisas. Na verdade, o que suscitou tudo isso foi justamente a eleição do Donald Trump nos EUA, na qual os usuários de internet, de determinadas redes sociais, recebiam informações na medida em que demonstravam-se mais favoráveis ou menos favoráveis ao candidato, dizendo “olha, isso é bom por causa disso”, seguindo uma lógica do tipo: O que será que eles querem? O que será que eles gostariam que eu dissesse, que faria com que eles votassem em mim? Então, essas notícias foram lançadas pontualmente para esses usuários, levando a algumas mudanças de posicionamento, principalmente com os usuários indecisos e que não teriam ainda um posicionamento.

FAVI - Estamos vivendo uma época de muita polarização política, em que a maioria dos cidadãos tem acesso diário a muitas informações, verdadeiras e falsas. Que impacto este tipo de prática (de propagação de notícias falsas) pode ter, especialmente nesta época de eleições e decisões?

Prof. Cinthia - Quando a gente analisa o uso das fake news nesse tipo de contexto eleitoral, isso se torna muito perigoso, porque eu posso direcionar o eleitorado para X ou Y. Nós já estamos vivendo um momento de polarização. E isso pode se tornar não só polarizado, mas um confronto. Porque as pessoas que votam em X, só querem ouvir falar de X. E quem vota em Y ou Z, ou quantos forem candidatos, só querem ouvir sobre o seu escolhido. As pessoas estão muito “infladas” e essas notícias falsas ajudam a agravar. No momento que eu considero que vou votar em X, eu tenho uma série de notícias dizendo que X é bom e só vejo elementos para sustentar essa posição, isso faz com que o confronto acabe sendo mais direto. Só que está baseado em uma informação que, às vezes, não é verdadeira. Vivemos em uma sociedade em que temos acesso à informação, mas precisamos nos questionar sobre a qualidade da informação que estamos tendo acesso.

FAVI - Muitas pessoas acabam culpando a tecnologia pela facilidade na publicação e na disseminação das fake news, falando sobre robôs e sistemas automatizados que ajudariam a distribuir conteúdo nos sites e, principalmente, nas redes sociais. Como podemos responder a isso, para incentivar o uso responsável das descobertas tecnológicas e não propagar ainda mais “mitos” sobre o assunto ou tornar a tecnologia uma vilã?

Prof. Cinthia - É ótimo que se fale em uso responsável da tecnologia, embora a gente possa considerar como algo utópico ainda. As pessoas, nesse momento, estão mais interessadas em consumir a tecnologia, mas a maioria delas ainda não parou para refletir. Só que para refletir, é preciso educação de base, ou seja, eu preciso saber ler, saber escrever, preciso saber compreender um texto, para depois chegar no nível da reflexão, que é quando eu comparo situações, quando meço o que é o parecer de um analista ou de um influenciador, um youtuber, seja quem for. Mas eu tenho o discernimento para comparar e medir qual o peso que eu vou dar para cada uma das informações que estou recebendo. Valorar isso e formar a minha convicção, o meu entendimento sobre aquele tema. Quando a gente fala de uso responsável das tecnologias, tem muito caminho a percorrer para poder chegar nisso. E hoje, a gente ainda tem muitas pessoas que estão excluídas de todo o sistema tecnológico, informacional, educacional. E mesmo entre aquelas que estão incluídas, muitas não compreendem. A gente sabe que existe uma quantidade enorme de analfabetos funcionais, ou seja, pessoas que sabem ler, mas têm dificuldade de entender o que leram, de contar para alguém, de fazer um resumo. E esse caminho exige um processo educacional, para que as pessoas possam exercitar a sua cidadania, também por meio do uso da tecnologia, mas de modo responsável.Celular Freepik

Então, eu recebo uma informação em qualquer meio de mensagem instantânea e preciso questionar: será que isso é verdade? Quem me enviou? Será que essa pessoa é daquelas que me envia qualquer coisa, recebe e manda para frente, para todos os contatos que ela tem? Ou será que essa pessoa testou, verificou, validou essa informação? Assim, eu já tenho um grau de confiança naquilo que estou recebendo. O que acontece é que a tecnologia banaliza muita coisa. Ela banaliza a velocidade, o acesso, a facilidade. E isso faz com que eu, rapidamente, pegue aquilo sem questionar, sem refletir e dispare na minha rede social ou no meu aplicativo de comunicação instantânea, o que é um problema.

FAVI - De que maneira a área acadêmica e as instituições de ensino podem colaborar no combate às fake news?

Prof. Cinthia - O meu olhar, por ser professora universitária há 33 anos, é de que isso vem de formação de base. E quando falo de formação de base, incluo família, escola e instituições religiosas, independente de qual credo. Esses três pilares fazem a formação de base. A gente precisa que a família cumpra o seu papel, independente de qual formato de família estejamos falando; precisamos da escola, independente de qual processo pedagógico utilize; e da formação religiosa. Todo mundo tem que estar envolvido em formar um cidadão e ensiná-lo a usar a tecnologia. Para isso, ele também precisa conhecer o risco. Quando você era pequeno, provavelmente sua mãe dizia: “Não fale com estranhos”. Isso vale para a tecnologia também: com quem você está falando? Quem é a pessoa que está do outro lado? E isso a escola pode reforçar. Os amigos daquela associação religiosa que você frequenta também, aqueles que você considera verdadeiros amigos. Essa formação de base da criança é que vai fazer o adolescente ou o adulto usar a tecnologia de maneira responsável. Se quisermos inverter, dizendo: “Vamos deixar as crianças crescerem, se tornarem adolescentes e quando forem adultos nós vamos colocar ordem”, a gente já perdeu. Perdeu para um jogo, como o Baleia Azul; perdeu para um aliciador que conversou com o teu filho pela internet e marcou um encontro; perdeu para as fake news que já formaram um consenso ou fizeram a pessoa formular uma ideia sobre um assunto e não tem mais como retornar isso.

FAVI - A professora poderia comentar um pouco do que vem sendo estudado na academia sobre isso?

Prof. Cinthia - Se a gente olhar pelo lado da Tecnologia, ela vem evoluindo tal qual o homem na sociedade, trazendo benefícios e malefícios. Muitas vezes, uma tecnologia é criada para o bem, mas alguém tem uma ideia e imagina: por que não usar isso para fraudar o sistema? Para quebrar uma senha ou clonar um cartão de crédito, por exemplo? São tecnologias que estão aí, para serem usadas para o bem ou para o mal. Então, o ensino da tecnologia é super importante e é necessário tornar os alunos da tecnologia também cientes disso. Que o que eles vão criar lá na frente como tecnologia, aplicativos, softwares ou hardwares poderão ter diferentes usos. E pensar: o que este meu novo programa de computador vai trazer de benefícios para a sociedade? Pensar mais no todo, não somente no lucro, no sucesso da empresa, no que a pessoa quer fazer. E a gente, como formador de profissionais, precisa se preocupar.

O Direito, por outro lado, vem com a parte legislativa. Normalmente, a gente brinca que o Direito corre atrás da Tecnologia. Porque a tecnologia é criada, é desenvolvida, é colocada na prática e, só então, os problemas aparecem. Quando aparecem, o Direito entra para regular, para normatizar, para verificar quais são os benefícios e malefícios. Surge então a necessidade do direito entrar em ação, seja com um projeto de lei, um ato normativo, uma medida provisória, o que for necessário para ordenar aquele uso, de modo que se vise ao benefício da sociedade. E, se houver malefício, como responsabilizar, quem responsabilizar e as medidas cabíveis nessa responsabilização. Se cível, se criminal, se empresarial… Se for um colaborador dentro de uma empresa, pode haver um processo administrativo interno, para depois ser tomada uma decisão. Tudo isso o Direito vai organizando, a partir das tecnologias ou dos danos que venham a ser causados.

E isso não pára, porque a tecnologia não pára, não tira férias. Em geral, cada descoberta leva a mais outra, sempre pensando no futuro, em ir além. E esse diálogo entre Direito e Tecnologia não é uma coisa tão simples, porque essas duas áreas possuem linguagens muito específicas, possuem modos de trabalho, de entendimento e de interpretação completamente distintos. Fazer os dois lados conversarem é um desafio e uma necessidade.

FAVI - Que dicas podemos dar para as pessoas identificarem as fake news?

Fake News 2 FreepikProf. Cinthia - No primeiro momento, parar e se perguntar: será que isso é uma informação verdadeira? Qual é a fonte desta informação? De onde veio? Veio de uma instituição acadêmica ou jornalística? Eu preciso sair daquele ambiente onde eu recebi a informação e ir pesquisar, dedicar o meu tempo. E refletir: onde posso buscar essa informação? Tem dados estatísticos, foi publicada por alguma universidade ou veículo da imprensa? Posso colocar essa informação no buscador da internet e ver o que aparece, se encontro aquela informação em fontes confiáveis. Hoje, também existem sites específicos para identificar fake news. Você pode entrar nesses sites e descobrir se aquela notícia é verdadeira ou não, com a explicação do que estava incorreto, se a imagem foi manipulada ou foi feita em outra data, etc. Se a dúvida ainda não estiver esclarecida por estes sites, você mesmo precisará dedicar esse tempo de pesquisa, antes de passar para frente. E repassar somente se tiver certeza de que é sério. Também podemos questionar a pessoa que nos mandou: "De quem você recebeu?". É preciso se preocupar com a origem da informação.

FAVI - O que os cidadãos podem fazer ao identificar que um site está propagando uma notícia falsa? Existe uma maneira de denunciar e/ou pedir que a informação seja “retirada do ar”?

Prof. Cinthia - Nesses mesmos sites que informam se a notícia é fake ou não, é possível fazer uma notificação, um aviso do que foi recebido, para que seja avaliada a veracidade. E é importante também fazer o papel reverso no grupo ou meio em que você recebeu aquilo, informando que a informação foi verificada e que não é verdade, pontuando as razões, indicando a fonte verdadeira. Só que a maior parte das pessoas não se dão ao trabalho de fazer isso, às vezes até para evitar de criar uma inimizade, não se indispor e acaba não falando nada. E aí deixamos de exercer a nossa cidadania, nosso dever como cidadão dentro de uma sociedade tecnológica e informacional, que é a que a gente vive hoje.

FAVI - Em relação à área jurídica, temos uma expectativa boa em relação a isso tudo?

Prof. Cinthia - Eu acho que a gente tem sim. Já houve decisão sobre fake news. Os aplicativos de mensagem instantânea agora marcam as mensagens encaminhadas, por exemplo, o que tem a ver com a legislação europeia, que defende que precisa sinalizar que foi encaminhado de alguém, que aquela pessoa que te mandou não foi a fonte primária da informação. É muito raro você receber algo que nasce da pessoa, a maior parte é encaminhado e perde-se essa referência. Existem mecanismos que estão surgindo para tentar lidar, como o Marco Civil da Internet, que regula determinadas ações, os provedores de aplicação… São instrumentos importantes. Mas é preciso atentar também para o limite, às vezes muito tênue, entre a liberdade de expressão versus o uso irresponsável da tecnologia. Uma coisa é estimular a criatividade, a ironia, as brincadeiras. E outra é usar isso para induzir, influenciar ou propagar algo falso.

FAVI - Para finalizar, a senhora gostaria de deixar alguma mensagem ou comentário sobre suas reflexões acerca deste tema?

Prof. Cinthia - É importante nós sabermos que a tecnologia nos favorece em muitos momentos, facilita a nossa vida (a velocidade da informação, a possibilidade de eu me comunicar com as pessoas, de fazer uma compra na internet, de baixar um conteúdo para uma pesquisa científica, para realizar um trabalho escolar, etc.). Mas ela também traz responsabilidades. E, no caso das fake news, essa responsabilidade é a de parar e refletir, para saber se aquilo realmente tem uma fonte e se é fidedigna, se é confiável.

Fotos: Banco de Imagens Freepik

O corpo docente da Faculdade Vicentina agora tem mais um integrante com doutorado completo. Aluísio von Zuben defendeu sua tese sobre lógica e filosofia da linguagem no dia 3 de outubro, pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), na linha de pesquisa de Filosofia Analítica.

O estudo – intitulado “Leibniz, Frege e o Tractatus de Wittgenstein: da dificuldade de notação à transcendentalidade da lógica” – foi orientado pelo Dr. Bortolo Valle, que também faz parte do corpo de professores da FAVI. Além do orientador, a banca examinadora foi composta por: Dr. Léo Peruzzo Júnior, Dra. Viviane Castilho Moreira (UFPR), Dra. Cristina Del Carmen Bosso e Dr. Andrés Stisman – estes dois últimos, da Universidade Nacional de Tucumán (Argentina), participaram por videoconferência.

Prof. Aluísio 3“O elemento que tem alguma novidade, ao menos na literatura do Brasil, é a comparação entre a filosofia de Leibniz e a do Tractatus, relação que precisa ser mediada por Frege, no que concerne à lógica. Essas filosofias também guardam semelhanças no âmbito da ontologia. Como a teoria da significação da linguagem, no Tractatus, tem seu fundamento na igualdade de forma lógica entre mundo e linguagem, isto permitiu unir estes três filósofos na medida em que reunimos a ontologia à lógica, para explicar a linguagem”, expõe Aluísio.

E complementa, sobre a trajetória de pesquisa e os autores referenciados: “Frege é um pensador restrito ao objetivo de deduzir a aritmética da lógica, o que o obrigou a expandir sua análise também sobre a linguagem. Já Leibniz é um filósofo que trata de tudo, sua filosofia é um grande sistema onde encontramos toda a tradição grega e medieval, bem como tematizações da ciência de seu tempo. Isso exigiu abordar a teoria das categorias de Aristóteles e suas implicações sobre o problema tomista e escotista do princípio de individuação. Por seu turno, o Tractatus logico-philosophicus tem o objetivo de resolver os problemas da filosofia por meio do método analítico da linguagem, cujo princípio é falar claramente ou se abster quando a clareza não é permitida pelas restrições de significação. O resultado disso foi que, nesse livro, Frege fica parecendo um pensador que desenvolveu um enorme sistema, enquanto Leibniz parece não ter se dedicado a quase nada. Efeito de ter Wittgenstein se obstinado tanto a aperfeiçoar a notação lógica, com muitos comentários e propostas de solução para aqueles problemas, e negado a possibilidade de toda metafísica, por impossibilidade de significação de suas proposições. Por fim, tratamos da transcendentalidade da lógica”.

“Gostei muito de fazer esta pesquisa, embora tenha sido muito trabalhosa, mas, como diz o povo com muita propriedade: ‘quem corre por gosto não cansa’”, conta o novo doutor.

Confira, abaixo, o resumo do trabalho.

Resumo da tese

Stegmüller afirmou que Wittgenstein, no Tractatus logico-philosophicus, dá tratamento inadequado a muitos termos filosóficos, como “substância” e outros, revelando seu desconhecimento da tradição da filosofia, o que, paradoxalmente, tornaria a obra mais facilmente compreensível para os amadores do que para os profissionais. Nossa tese consiste em mostrar que Wittgenstein teve conhecimento suficiente da tradição filosófica, sem o que não se poderiam colocar os problemas que se dispôs a enfrentar, e que seu tratamento dos termos decorre do rigor de seu método, consistente em usar a linguagem respeitando-se seus limites de significação, apresentados por meio de sua teoria da afiguração, cujo fundamento é a igualdade de forma lógica entre mundo, pensamento e linguagem. Este isomorfismo lógico pode ser mostrado por meio de uma notação lógica adequada, o que foi elaborado pelos desenvolvimentos da Conceitografia de Frege como efetivação de um ideal de Leibniz, cuja metafísica abrange temas tradicionais da filosofia grega e medieval, particularmente sua Monadologia, apresentando elementos de semelhança com a ontologia do Tractatus, tais como as concepções de espaço e tempo, espaço lógico e mundos possíveis, a relação entre necessidade e contingência e a negação da causalidade. A igualdade de forma lógica entre linguagem e mundo foi primeiramente sistematizada, embora não nestes termos, pela teoria das categorias de Aristóteles, cuja lógica adotou o modelo gramatical de sujeito-predicado e que se manteve até o novo modelo apresentado pela Conceitografia de argumento-função, decalcado da aritmética, permitindo a criação da notação lógica idealizada por Leibniz, mas obstruída pelo tradicional padrão aristotélico apegado à linguagem natural. Este vínculo de Leibniz com a memória aristotélica pôde ser evidenciado pela aproximação entre a teoria de Leibniz, da presença do predicado na noção do sujeito nas proposições verdadeiras, tanto idênticas como contingentes, enraizado na concepção leibniziana de substância individual e na dupla interpretação aristotélica dos termos, e conceitos, em bases de intensão e extensão, bem como os problemas do transcurso, ou descensus, do universal ao singular, a exemplo da discutível legitimidade do modo Darapti, quando confrontado aos diagramas de Venn, e justificado por meio dos recursos da suppositio e ampliatio dos medievais. Tematizações decorrentes da noção de substância primeira e segunda de Aristóteles, ilustrativas dos insuperáveis problemas aos quais os filósofos foram inevitavelmente enredados por sua adesão à estrutura sujeito-predicado. As virtudes da notação conceitográfica foram expostas, principalmente, por meio de sua solução do significado de “verdadeiro” e “existência”, bem como pela análise da fórmula (69), com o que se evidenciou a autonomia da lógica relativamente ao mundo e aos portadores de ideias, possibilitando a Wittgenstein identificar o espaço lógico e declarar a transcendentalidade lógica, manifestando o rigor de seu método e razão de seu tratamento de termos como “substância”, alvo da infeliz reprovação de Stegmüller.

Paulo: contextos e leituras. Este é o título de mais um livro que faz parte da produção científica do corpo docente da Faculdade Vicentina em 2018. A obra foi organizada pelo professor Fabrizio Zandonadi Catenassi, da FAVI, e por Telmo José Amaral de Figueiredo.

“O livro resgata as principais contribuições dos pesquisadores da área de pesquisa bíblica hoje, com relação a Paulo. Aqui no Brasil, é o livro mais atual, que traz os últimos conceitos, descobertas e as mais recentes provocações, que vêm diretamente da Europa, inclusive”, explica Fabrizio.

Livro sobre Paulo professor Fabrizio 2Além de organizador da publicação que reúne contribuições de autores brasileiros e europeus, o professor da FAVI também coordenou a tradução de um premiado texto de 670 páginas, chamado "Paulo e o dom", obra de uma das principais autoridades no assunto: John Barclay (Durham University - Reino Unido).

A obra foi lançada durante o VIII Congresso Internacional de Pesquisa Bíblica, promovido pela Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB), de 17 a 30 de agosto, em Curitiba. E colabora para os avanços referentes à Teologia Paulina e para a discussão dos desafios para a pesquisa na atualidade.

Sobre o organizador

Fabrizio Zandonadi Catenassi (do lado esquerdo da foto) é graduado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. É mestre e doutorando em Teologia, pela mesma instituição. Foi membro da diretoria da Red de Teologos y Teologas do CEBITEPAL (CELAM) e, atualmente, é membro da diretoria da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica. É colaborador do Setor de Universidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e um dos coordenadores da revista Estudos Bíblicos, da editora Vozes. Pastoralmente, assessora cursos para formação de leigos, diáconos e sacerdotes no Brasil, na América Latina e no Caribe.

 

Foto: Rosane Moreira

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