A edição número 338 da Revista Vida Pastoral conta com uma contribuição do corpo docente da Faculdade Vicentina. 

Pe. Eliseu Wisniewski – mestre em Teologia, integrante da Congregação da Missão Província do Sul e professor do bacharelado em Teologia – escreveu um artigo intitulado “O tradicionalismo como ameaça para uma Igreja em saída”. 

O artigo leva em consideração o fenômeno do tradicionalismo católico como um desafio ao discernimento da fé. De acordo com a reflexão de Pe. Eliseu, os tradicionalistas são hoje bem visíveis dentro da Igreja católica, afirmando um modelo de verdade fixa e universal advinda do passado como solução das crises atuais. Por isso, o texto pretende oferecer elementos para a compreensão e discernimento da tendência tradicionalista. 

O texto está publicado nas páginas 22 a 31. 

>>> Clique aqui para baixar a edição completa da revista.

>>> Confira mais recomendações de leitura do Pe. Eliseu.

Neste início de ano letivo, toda a comunidade acadêmica da Faculdade Vicentina presta uma homenagem ao Pe. Domenico Costella. O motivo é a gratidão por sua trajetória de docência nas áreas da Filosofia e Teologia. Em especial, pela oportunidade que tantos estudantes e professores tiveram de partilhar semestres letivos com sua presença e seus conhecimentos.

Pe. Domenico nasceu no dia 6 de fevereiro de 1941, em Borgotaro, na Província de Parma, na Itália. Foi ordenado padre em 1964, pela Congregação dos Missionários Xaverianos. 

É mestre em Filosofia Contemporânea (Roma, 1966) e doutor em Filosofia da Religião (Roma, 1973). Começou a se dedicar à docência no ano de 1978. E integrou o corpo docente de nossa instituição de 2007 a 2020. 

Na FAVI, ministrou aulas de Ética e Grego, no Bacharelado em Teologia. E conduziu as disciplinas de Ética Filosófica e Filosofia do Brasil e da América Latina, no Bacharelado em Filosofia

Entrevista com Pe. Domenico Costella

A seguir, confira a entrevista que fizemos com o Pe. Domenico Costella sobre esse caminho percorrido:

 

Como o senhor observa a história que a instituição traçou no tempo que fez parte do corpo docente, desde a época de Instituto Vicentino de Filosofia até tornar-se Faculdade Vicentina? 

Pe. Domenico: A história do Instituto Vicentino de Filosofia até se tornar Faculdade, com o decreto do MEC, é muito interessante. Lembro quando da PUC ia até Santa Felicidade e depois passando pelos campos (lembrando Holzwege de Heidegger: os caminhos do campo) chegava ao Instituto (não podemos esquecer a figura de Pe. Vicente Keller). Tenho ótimas lembranças; Também não posso esquecer o prof. Cleverson Leite Bastos, recém falecido, que contribuiu para o fortalecimento do Instituto, em seu começo.

Sobretudo pela coragem do Pe. André Marmilicz e do coordenador prof. Luiz Balsan, obtivemos o decreto de transformação do Instituto em Faculdade. Eu vi os esforços da diretoria da FAVI em ampliar a Biblioteca, adquirir revistas (o que faz uma Faculdade são os professores e a biblioteca). Além dos seminários anuais com temas pertinentes aos diferentes campos da filosofia e os desafios da sociedade contemporânea.

Qual a sua visão sobre a contribuição da FAVI na formação filosófica e teológica em Curitiba e no Paraná?

Pe. Domenico: A contribuição da FAVI para a formação dos seminaristas, leigos, Irmãs, é de inestimável valor. Cito o Estatuto da Faculdade Vicentina: “Inspirada em São Vicente, seu Patrono, a Faculdade Vicentina busca a promoção integral do ser humano, através de uma educação de qualidade, realizada por profissionais competentes, aberta a toda comunidade, em vista de formar cidadãos comprometidos com o desenvolvimento ético, social, cultural e político da sociedade e com o cuidado do planeta”.

Há muito tempo insisto nessa tecla: devemos formar leigos(as) com boa formação, mantendo sua autonomia – como prega o Vat: II - “em diálogo com os sacerdotes, e não coroinhas do padre”. “Os sagrados Pastores, porém, reconheçam e promovam a dignidade e a responsabilidade dos leigos na Igreja (…) E deixem-lhes liberdade e raios de ação” (LG, n. 37).

 

>>> Aula Magna 2021 com Pe. Domenico

Inspirada em São Vicente de Paulo, seu patrono, a Faculdade Vicentina busca a promoção integral do ser humano. Coloca essa missão em prática por meio de uma educação superior de qualidade, realizada por profissionais competentes, aberta a toda a comunidade, tendo em vista formar cidadãos comprometidos com o desenvolvimento ético, social, cultural e político da sociedade e com o cuidado do planeta.

Para saber mais sobre os princípios que norteiam a educação vicentina, confira a entrevista com o Pe. Joélcio Saibot, diretor de ensino da Faculdade Vicentina, membro da Congregação da Missão Província do Sul e pároco da Paróquia Nossa Senhora da Anunciação (Colônia Dom Pedro II - Campo Largo).

Em que se difere a educação vicentina de outros métodos de educação? 

Pe. Joélcio: A educação vicentina tem como objetivo ajudar na formação para a vida, além da formação para o mercado. Ela é pautada nos valores cristãos, por meio do carisma vicentino. Uma pedagogia criativa, participativa, personalizante, que promove o senso comunitário; aberta ao diálogo, sempre atenta às situações particulares em que se encontram os educandos; libertadora, que oferece contribuições para tornar a sociedade mais democrática e fraterna (educação para a justiça); uma pedagogia que faz da escola um lugar de diálogo entre fé e vida, entre ciência e fé, de tal modo que a pedagogia e o ambiente favoreçam e incentivem o crescimento harmônico de todas estas dimensões.

Ela prepara o aluno de forma diferenciada para sempre buscar o melhor em termos de educação? 

Pe. Joélcio: A educação vicentina busca oferecer uma educação holística para os alunos, ou seja, ver a vida de um modo integral. Priorizamos uma educação na qual o aluno possa ser protagonista na busca dos conhecimentos acumulados na história da humanidade. Esses conhecimentos deverão ajudar a construir uma visão de mundo e pessoa integral: ser biopsicossocial e espiritual. É uma educação que busca dialogar com as situações do nosso tempo: sustentabilidade, respeito, cultura e promoção humana. 

Quais são os princípios básicos da educação vicentina?

Pe. Joélcio: Educação capaz de questionar a realidade social existente, transformando-a numa convivência mais humana e democrática; a consciência do valor moral da liberdade e o empenho de cada um em harmonizar a liberdade de todos; a busca por uma educação que seja acessível a todos; olhar para os educandos como sujeitos, ajudando-os a desenvolver a consciência da dignidade humana e da autoestima, trabalhando conteúdos que evitam qualquer discriminação, tanto na família como na sociedade.

Aluno Rafael 1Em agradecimento pelo encerramento de mais um ano letivo, o estudante Rafael Cordeiro, que está indo para o terceiro ano da graduação em Filosofia na FAVI, escreveu um depoimento sobre a experiência vivenciada em 2020. Confira:

“Este ano, a conclusão do ano letivo foi muito diferente, diversas mudanças, o aprendizado remoto, os desafios, lutas, adaptações, sofrimentos, muitas noites e madrugadas em claro estudando e revendo as vídeoaulas, uma pandemia que se tornou o “novo normal” e nos desestabilizou organicamente. 

Porém, diante de tudo isso, a graça aconteceu. O esforço aumentou, a dedicação também, a oração e as coisas foram se ajeitando. 

Enfim, nos reinventamos para poder sobreviver e dar continuidade em nossa caminhada. 

Quero agradecer a Deus e a todos que corroboraram para que tudo se completasse de modo muito harmônico e positivo. Mesmo diante de tantas limitações, conseguimos vencer. Saibam que a oração de vocês foi essencial. Deus nos abençoe sempre mais”.

Na última sexta-feira, 29 de janeiro, os professores e funcionários da FAVI participaram de uma atividade de preparação para o ano letivo de 2021. Eles se reuniram virtualmente para uma palestra com a Ir. Carolina Mureb, sobre a importância da educação vicentina nos tempos atuais e o Pacto Educativo Global.

Ir. Carolina é Filha da Caridade e trabalha na Rede Vicentina de Educação. Possui formação nas áreas de Pedagogia e Teologia. E coordena a Comissão de Educação da Província do Rio de Janeiro. 

“Para mim é sempre uma alegria poder partilhar a experiência dos estudos e reflexões sobre o carisma vicentino”, afirmou a convidada.

Palestra Ir. Carolina Pe. IlsonUma trajetória repleta de significados

No início de sua fala, Ir. Carolina recordou aos presentes a origem das obras da Congregação da Missão, bem como dos primeiros ramos da Família Vicentina, a partir das iniciativas de São Vicente e Luísa de Marillac. 

Desde a inspiração carismática, a finalidade principal era o serviço aos pobres, doentes e camponeses – considerando que as necessidades dos pobres são múltiplas, tanto corporais quanto espirituais. 

Dessa forma, a primeira instituição educativa vicentina surgiu na casa de Luísa de Marillac, para meninas que não tinham condições de receber instrução. E desde essa época, já eram características essenciais: a centralidade no acolhimento, a luta pela dignidade humana, a defesa de direitos e a busca por justiça social. 

Chamado do Papa Francisco

Ir. Carolina também apresentou os principais tópicos de discussão e ação que o Papa Francisco propõe desde 2019 e que resultaram no Pacto Educativo Global, que envolve universidades católicas do mundo inteiro. 

Cabe à educação, por exemplo, propor um novo modelo antropológico, levando em conta a relação com a vida, a sociedade e a natureza. 

Outro aspecto destacado foi o conceito de discernimento. Isto é, um processo contínuo para estimular boas escolhas e o bom uso da liberdade pessoal, tendo em vista o bem coletivo. 

Além disso, a partir dos compromissos que o Papa propõe para a educação e das rápidas transformações do mundo atual, Ir. Carolina ressaltou o papel da educação vicentina para a formação de cidadãos conscientes e atuantes. 

O professor Léo Peruzzo Júnior lançou, neste mês de dezembro de 2020, sua mais recente obra pela editora CRV, intitulada “Cognição, Linguagem e Realidade”. O livro é organizado em parceria com Laura Candiotto, investigadora na Freie Universität, em Berlim.

A publicação, que faz parte da Coleção Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas, se propõe a investigar não somente o lugar ocupado pela cognição no mundo, mas como podemos vivenciar nossa própria condição humana por meio dela, elucidando alguns labirintos conceituais relacionados ao tema. 

Segundo Peruzzo, “as fronteiras entre cognição, linguagem e realidade têm despertado, cada vez mais, a consolidação de um espaço particular na história da filosofia e nas ciências cognitivas, sobretudo se considerarmos o tratamento que a questão recebeu a partir do enclausuramento da primeira aos limites da estrutura cerebral. Por isso, um dos principais desafios de investigação não se remete apenas em saber o lugar que a cognição ocupa no mundo mas como, a partir dela, temos a possibilidade de experienciar a nossa própria condição de seres humanos”.

O segundo volume da coleção, que conta com pesquisadores(as) de trinta Universidades brasileiras, será lançado no segundo semestre de 2021, com o título “Tendências contemporâneas de Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas”.

Sobre o autor

Léo Peruzzo é pós-doutor em Filosofia pela Università Ca´ Foscari, Venezia (Itália), e doutor em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Editor-chefe da Aurora Journal of Philosophy e professor da Faculdade Vicentina e da FAE Centro Universitário. É autor das obras “Filosofia da Linguagem” (2016), “O que pensam os filósofos contemporâneos? Um diálogo com Singer, Dennett, Searle, Putnam e Bauman” (2017), “Realidade, Linguagem e Metaética em Wittgenstein” (2018), entre outras.

Na tarde do dia 4 de dezembro de 2020, uma Missa em Ação de Graças marcou a conclusão de mais um ciclo de vida para os formandos dos cursos de graduação em Filosofia e Teologia da Faculdade Vicentina. 

A celebração foi realizada na Paróquia São Vicente, em Curitiba, e presidida por Dom Celso Antônio Marchiori, bispo diocesano de São José dos Pinhais.

Ao final da missa, também foi realizada a colação de grau dos novos bacharéis. 

“Creio ser de suma importância poder celebrar e agradecer a Deus a caminhada realizada neste ano de 2020 por toda a comunidade acadêmica da FAVI. Foram momentos desafiadores, nos quais todos buscaram responder com generosidade e comprometimento para que nosso processo formativo tivesse êxito. A Celebração Eucarística é o ápice e o centro da Vida Cristã. Por isso, por sermos uma instituição fundamentada nos valores evangélicos, não poderíamos deixar de celebrar agradecendo a Deus a caminhada feita e as conquistas realizadas por cada um desses nossos alunos”, afirma Pe. Ilson Hübner, diretor geral da FAVI. 

A missa e a colação de grau foram transmitidas ao vivo pelo canal da FAVI no Youtube, confira a gravação:

 

Mais Artigos...