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Foto: Freepik - rawpixel.com

O fenômeno das chamadas fake news é um tema muito atual, que tem feito parte do dia a dia da população, muitas vezes até sem que as pessoas percebam. E para abordar a questão, não basta um olhar puramente técnico. É necessário pensar também na formação humana dos cidadãos, em educação básica e na relação entre quantidade e qualidade de informação, entre tantos outros aspectos que fazem parte deste contexto. Para tratar do tema, com considerações a partir das áreas de estudo do Direito e da Tecnologia, bem como suas implicações para a sociedade, a Faculdade Vicentina convidou a professora Dra. Cinthia Obladen de Almendra Freitas para uma entrevista.

Prof. Cinthia Freitas PUCPRCinthia possui graduação em Engenharia Civil, pela Universidade Federal do Paraná; mestrado em Engenharia Elétrica e Informática Industrial, pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná; e doutorado em Informática, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). É professora da PUCPR, nos cursos de Direito e Ciência da Computação. Já atuou como docente do Programa de Pós-Graduação em Informática da mesma instituição e, atualmente, integra o corpo de professores do Programa de Pós-Graduação (Mestrado/Doutorado) em Direito. Tem experiência nas áreas de Informática e Direito, atuando principalmente nos seguintes temas: Direito e Tecnologia, Direito e Internet, Direito Eletrônico, Direito Digital, Novas Tecnologias, Contratos Eletrônicos, Direito do Consumidor, Direito de Autor, Sociedades (Informação, Tecnológica, Consumo), Consumo e Meio Ambiente, Consumo Consciente e Sustentável.

Confira a entrevista com a professora:

FAVI - Como podemos definir as fake news? E o que elas representam no nosso contexto atual?

Prof. Cinthia - As fake news, se formos traduzir literalmente, são notícias falsas. E este fenômeno é tão sério, que a expressão foi escolhida para representar o ano de 2017. A palavra de 2016 foi pós-verdade. E, mais recentemente, foram as fake news, por causa das eleições do Trump nos Estados Unidos. A ideia das fake news é, de alguma forma, criar informação – e essa informação em formato de notícia, o que dá um caráter visual de veracidade para quem acessa, recebe ou visualiza – mas que traz dados que não são verdadeiros. Isso pode ser desde um texto sobre determinado alimento que faz bem ou faz mal, até em situações de eleições, se um candidato é bom, se a proposta é boa, se ele está melhor ou pior nas pesquisas. Na verdade, o que suscitou tudo isso foi justamente a eleição do Donald Trump nos EUA, na qual os usuários de internet, de determinadas redes sociais, recebiam informações na medida em que demonstravam-se mais favoráveis ou menos favoráveis ao candidato, dizendo “olha, isso é bom por causa disso”, seguindo uma lógica do tipo: O que será que eles querem? O que será que eles gostariam que eu dissesse, que faria com que eles votassem em mim? Então, essas notícias foram lançadas pontualmente para esses usuários, levando a algumas mudanças de posicionamento, principalmente com os usuários indecisos e que não teriam ainda um posicionamento.

FAVI - Estamos vivendo uma época de muita polarização política, em que a maioria dos cidadãos tem acesso diário a muitas informações, verdadeiras e falsas. Que impacto este tipo de prática (de propagação de notícias falsas) pode ter, especialmente nesta época de eleições e decisões?

Prof. Cinthia - Quando a gente analisa o uso das fake news nesse tipo de contexto eleitoral, isso se torna muito perigoso, porque eu posso direcionar o eleitorado para X ou Y. Nós já estamos vivendo um momento de polarização. E isso pode se tornar não só polarizado, mas um confronto. Porque as pessoas que votam em X, só querem ouvir falar de X. E quem vota em Y ou Z, ou quantos forem candidatos, só querem ouvir sobre o seu escolhido. As pessoas estão muito “infladas” e essas notícias falsas ajudam a agravar. No momento que eu considero que vou votar em X, eu tenho uma série de notícias dizendo que X é bom e só vejo elementos para sustentar essa posição, isso faz com que o confronto acabe sendo mais direto. Só que está baseado em uma informação que, às vezes, não é verdadeira. Vivemos em uma sociedade em que temos acesso à informação, mas precisamos nos questionar sobre a qualidade da informação que estamos tendo acesso.

FAVI - Muitas pessoas acabam culpando a tecnologia pela facilidade na publicação e na disseminação das fake news, falando sobre robôs e sistemas automatizados que ajudariam a distribuir conteúdo nos sites e, principalmente, nas redes sociais. Como podemos responder a isso, para incentivar o uso responsável das descobertas tecnológicas e não propagar ainda mais “mitos” sobre o assunto ou tornar a tecnologia uma vilã?

Prof. Cinthia - É ótimo que se fale em uso responsável da tecnologia, embora a gente possa considerar como algo utópico ainda. As pessoas, nesse momento, estão mais interessadas em consumir a tecnologia, mas a maioria delas ainda não parou para refletir. Só que para refletir, é preciso educação de base, ou seja, eu preciso saber ler, saber escrever, preciso saber compreender um texto, para depois chegar no nível da reflexão, que é quando eu comparo situações, quando meço o que é o parecer de um analista ou de um influenciador, um youtuber, seja quem for. Mas eu tenho o discernimento para comparar e medir qual o peso que eu vou dar para cada uma das informações que estou recebendo. Valorar isso e formar a minha convicção, o meu entendimento sobre aquele tema. Quando a gente fala de uso responsável das tecnologias, tem muito caminho a percorrer para poder chegar nisso. E hoje, a gente ainda tem muitas pessoas que estão excluídas de todo o sistema tecnológico, informacional, educacional. E mesmo entre aquelas que estão incluídas, muitas não compreendem. A gente sabe que existe uma quantidade enorme de analfabetos funcionais, ou seja, pessoas que sabem ler, mas têm dificuldade de entender o que leram, de contar para alguém, de fazer um resumo. E esse caminho exige um processo educacional, para que as pessoas possam exercitar a sua cidadania, também por meio do uso da tecnologia, mas de modo responsável.Celular Freepik

Então, eu recebo uma informação em qualquer meio de mensagem instantânea e preciso questionar: será que isso é verdade? Quem me enviou? Será que essa pessoa é daquelas que me envia qualquer coisa, recebe e manda para frente, para todos os contatos que ela tem? Ou será que essa pessoa testou, verificou, validou essa informação? Assim, eu já tenho um grau de confiança naquilo que estou recebendo. O que acontece é que a tecnologia banaliza muita coisa. Ela banaliza a velocidade, o acesso, a facilidade. E isso faz com que eu, rapidamente, pegue aquilo sem questionar, sem refletir e dispare na minha rede social ou no meu aplicativo de comunicação instantânea, o que é um problema.

FAVI - De que maneira a área acadêmica e as instituições de ensino podem colaborar no combate às fake news?

Prof. Cinthia - O meu olhar, por ser professora universitária há 33 anos, é de que isso vem de formação de base. E quando falo de formação de base, incluo família, escola e instituições religiosas, independente de qual credo. Esses três pilares fazem a formação de base. A gente precisa que a família cumpra o seu papel, independente de qual formato de família estejamos falando; precisamos da escola, independente de qual processo pedagógico utilize; e da formação religiosa. Todo mundo tem que estar envolvido em formar um cidadão e ensiná-lo a usar a tecnologia. Para isso, ele também precisa conhecer o risco. Quando você era pequeno, provavelmente sua mãe dizia: “Não fale com estranhos”. Isso vale para a tecnologia também: com quem você está falando? Quem é a pessoa que está do outro lado? E isso a escola pode reforçar. Os amigos daquela associação religiosa que você frequenta também, aqueles que você considera verdadeiros amigos. Essa formação de base da criança é que vai fazer o adolescente ou o adulto usar a tecnologia de maneira responsável. Se quisermos inverter, dizendo: “Vamos deixar as crianças crescerem, se tornarem adolescentes e quando forem adultos nós vamos colocar ordem”, a gente já perdeu. Perdeu para um jogo, como o Baleia Azul; perdeu para um aliciador que conversou com o teu filho pela internet e marcou um encontro; perdeu para as fake news que já formaram um consenso ou fizeram a pessoa formular uma ideia sobre um assunto e não tem mais como retornar isso.

FAVI - A professora poderia comentar um pouco do que vem sendo estudado na academia sobre isso?

Prof. Cinthia - Se a gente olhar pelo lado da Tecnologia, ela vem evoluindo tal qual o homem na sociedade, trazendo benefícios e malefícios. Muitas vezes, uma tecnologia é criada para o bem, mas alguém tem uma ideia e imagina: por que não usar isso para fraudar o sistema? Para quebrar uma senha ou clonar um cartão de crédito, por exemplo? São tecnologias que estão aí, para serem usadas para o bem ou para o mal. Então, o ensino da tecnologia é super importante e é necessário tornar os alunos da tecnologia também cientes disso. Que o que eles vão criar lá na frente como tecnologia, aplicativos, softwares ou hardwares poderão ter diferentes usos. E pensar: o que este meu novo programa de computador vai trazer de benefícios para a sociedade? Pensar mais no todo, não somente no lucro, no sucesso da empresa, no que a pessoa quer fazer. E a gente, como formador de profissionais, precisa se preocupar.

O Direito, por outro lado, vem com a parte legislativa. Normalmente, a gente brinca que o Direito corre atrás da Tecnologia. Porque a tecnologia é criada, é desenvolvida, é colocada na prática e, só então, os problemas aparecem. Quando aparecem, o Direito entra para regular, para normatizar, para verificar quais são os benefícios e malefícios. Surge então a necessidade do direito entrar em ação, seja com um projeto de lei, um ato normativo, uma medida provisória, o que for necessário para ordenar aquele uso, de modo que se vise ao benefício da sociedade. E, se houver malefício, como responsabilizar, quem responsabilizar e as medidas cabíveis nessa responsabilização. Se cível, se criminal, se empresarial… Se for um colaborador dentro de uma empresa, pode haver um processo administrativo interno, para depois ser tomada uma decisão. Tudo isso o Direito vai organizando, a partir das tecnologias ou dos danos que venham a ser causados.

E isso não pára, porque a tecnologia não pára, não tira férias. Em geral, cada descoberta leva a mais outra, sempre pensando no futuro, em ir além. E esse diálogo entre Direito e Tecnologia não é uma coisa tão simples, porque essas duas áreas possuem linguagens muito específicas, possuem modos de trabalho, de entendimento e de interpretação completamente distintos. Fazer os dois lados conversarem é um desafio e uma necessidade.

FAVI - Que dicas podemos dar para as pessoas identificarem as fake news?

Fake News 2 FreepikProf. Cinthia - No primeiro momento, parar e se perguntar: será que isso é uma informação verdadeira? Qual é a fonte desta informação? De onde veio? Veio de uma instituição acadêmica ou jornalística? Eu preciso sair daquele ambiente onde eu recebi a informação e ir pesquisar, dedicar o meu tempo. E refletir: onde posso buscar essa informação? Tem dados estatísticos, foi publicada por alguma universidade ou veículo da imprensa? Posso colocar essa informação no buscador da internet e ver o que aparece, se encontro aquela informação em fontes confiáveis. Hoje, também existem sites específicos para identificar fake news. Você pode entrar nesses sites e descobrir se aquela notícia é verdadeira ou não, com a explicação do que estava incorreto, se a imagem foi manipulada ou foi feita em outra data, etc. Se a dúvida ainda não estiver esclarecida por estes sites, você mesmo precisará dedicar esse tempo de pesquisa, antes de passar para frente. E repassar somente se tiver certeza de que é sério. Também podemos questionar a pessoa que nos mandou: "De quem você recebeu?". É preciso se preocupar com a origem da informação.

FAVI - O que os cidadãos podem fazer ao identificar que um site está propagando uma notícia falsa? Existe uma maneira de denunciar e/ou pedir que a informação seja “retirada do ar”?

Prof. Cinthia - Nesses mesmos sites que informam se a notícia é fake ou não, é possível fazer uma notificação, um aviso do que foi recebido, para que seja avaliada a veracidade. E é importante também fazer o papel reverso no grupo ou meio em que você recebeu aquilo, informando que a informação foi verificada e que não é verdade, pontuando as razões, indicando a fonte verdadeira. Só que a maior parte das pessoas não se dão ao trabalho de fazer isso, às vezes até para evitar de criar uma inimizade, não se indispor e acaba não falando nada. E aí deixamos de exercer a nossa cidadania, nosso dever como cidadão dentro de uma sociedade tecnológica e informacional, que é a que a gente vive hoje.

FAVI - Em relação à área jurídica, temos uma expectativa boa em relação a isso tudo?

Prof. Cinthia - Eu acho que a gente tem sim. Já houve decisão sobre fake news. Os aplicativos de mensagem instantânea agora marcam as mensagens encaminhadas, por exemplo, o que tem a ver com a legislação europeia, que defende que precisa sinalizar que foi encaminhado de alguém, que aquela pessoa que te mandou não foi a fonte primária da informação. É muito raro você receber algo que nasce da pessoa, a maior parte é encaminhado e perde-se essa referência. Existem mecanismos que estão surgindo para tentar lidar, como o Marco Civil da Internet, que regula determinadas ações, os provedores de aplicação… São instrumentos importantes. Mas é preciso atentar também para o limite, às vezes muito tênue, entre a liberdade de expressão versus o uso irresponsável da tecnologia. Uma coisa é estimular a criatividade, a ironia, as brincadeiras. E outra é usar isso para induzir, influenciar ou propagar algo falso.

FAVI - Para finalizar, a senhora gostaria de deixar alguma mensagem ou comentário sobre suas reflexões acerca deste tema?

Prof. Cinthia - É importante nós sabermos que a tecnologia nos favorece em muitos momentos, facilita a nossa vida (a velocidade da informação, a possibilidade de eu me comunicar com as pessoas, de fazer uma compra na internet, de baixar um conteúdo para uma pesquisa científica, para realizar um trabalho escolar, etc.). Mas ela também traz responsabilidades. E, no caso das fake news, essa responsabilidade é a de parar e refletir, para saber se aquilo realmente tem uma fonte e se é fidedigna, se é confiável.

Fotos: Banco de Imagens Freepik

O bacharelado em Teologia da Faculdade Vicentina é aberto a qualquer pessoa que possui o Ensino Médio completo, seja ela pertencente a alguma ordem religiosa ou não. A partir da ciência teológica, pode-se ressignificar a realidade atual e a busca pelo sentido da vida, em meio a tantas mudanças e verdades líquidas dos tempos atuais.

O curso tem 4 anos de duração e as aulas acontecem no período da manhã, ministradas por uma equipe de professores mestres e doutores. Ao todo, a matriz curricular é formada por 2.720 horas de aula, compreendendo três núcleos: fundamental, interdisciplinar e teórico-prático.

Realização de um sonho

Aula TeologiaNo ano de 2009, a analista de sistemas Jane Centenaro ingressou na graduação em Teologia. Dois anos antes, ela havia participado de um curso sobre teologia básica promovido pelo Instituto Arquidiocesano de Formação na Fé (IAFFE), da Arquidiocese de Curitiba – o que despertou seu interesse em aprofundar os estudos nesta área e cursar a graduação na FAVI.

Sobre os aspectos que mais chamaram a sua atenção e a fizeram escolher a instituição de ensino, Jane destaca: “Pareceu-me uma grade mais voltada para teologia sistemática. Pelos títulos das matérias e respectivas grades horárias, percebia-se a importância dada a cada uma delas. O que me fez esperar um maior aprofundamento”. Outro fator decisivo foi a formação dos professores: “o que mais tarde pudemos constatar a partir da nota que a faculdade recebeu do MEC, se não a maior, mas uma das maiores”.

Hoje, aos 56 anos, já formada, ela reconhece que a experiência exigiu muito estudo e perseverança. “De início, tive um sentimento de alienação, pois faltava familiaridade com a linguagem utilizada, que aos poucos e com a paciência dos professores e um sincero interesse em esclarecer e ajudar os alunos, foi sendo vencida essa dificuldade e tudo foi transcorrendo de forma a chegarmos à conclusão do curso. A turma era bem diversa, havia leigos solteiros, casados, religiosas e seminaristas. Inclusive um dos alunos pertencia a outra denominação religiosa”, conta.

Jane acredita que a graduação foi transformadora em sua vida: “colocou-me numa posição de quem compreende a própria fé e também com muito mais segurança para atuar na minha própria comunidade. Hoje, desempenho a função de secretária de uma paróquia e sinto-me bem preparada para receber todas as pessoas e atendê-las com muita serenidade e conhecimento suficiente para ajudá-las no que necessitam”.

Por isso, ela indica o curso a todas as pessoas que desejam aprofundar a fé. “Com certeza muda completamente a visão sobre a fé e a Igreja. Ter um conhecimento mais aprofundado faz com que a pessoa tenha mais tolerância e, ao mesmo tempo, saiba identificar o que, do ensinamento de Jesus, está sendo transmitido corretamente e o que está sofrendo desvio, podendo se posicionar ou não, conforme seu próprio entendimento”, afirma.

Conhecimento que se multiplica também com a participação de leigos

De amigo de um dos professores a aluno: assim foi o início da trajetória de estudos de Robinson Lourenço da Silva na Faculdade Vicentina, que fez parte da primeira turma de Teologia, formada por leigos e religiosos, de 2008 a 2011. Na opinião dele, o nível já começou altíssimo, com “professores escolhidos a dedo, que interagiam muito com os alunos, com uma qualidade de ensino diferenciada”.

Após o bacharelado, Robson também cursou as duas pós-graduações em Bíblia (com ênfase no Antigo Testamento e em Jesus Cristo), uma pós-graduação em Espiritualidade e, em 2018, ajuda a escrever a história da FAVI novamente, participando da primeira turma da especialização em Aconselhamento e Orientação Espiritual.

Além do vínculo como aluno, Robson fortalece sua relação com a instituição como funcionário. E os aprendizados de toda essa convivência com a comunidade acadêmica reflete-se também em seus trabalhos junto à Igreja, como ministro de eucaristia, catequista e parte da liderança comunitária. “Uma das frentes de meu trabalho hoje é falar com o público e multiplicar um pouco desde conhecimento”, relata.

Três motivos para cursar Teologia na FAVI

Celsita Stete passou a ser aluna da Faculdade Vicentina em 2009, por meio da graduação em Teologia, uma área que a interessava desde a infância. Desde então, não parou mais. Já está cursando sua quinta especialização. Quer saber quais são os aspectos que ela destaca sobre o curso?


Leia mais: O que os alunos da pós-graduação falam sobre a FAVI

Fotos: Geovanni C. De Luca 

Paulo: contextos e leituras. Este é o título de mais um livro que faz parte da produção científica do corpo docente da Faculdade Vicentina em 2018. A obra foi organizada pelo professor Fabrizio Zandonadi Catenassi, da FAVI, e por Telmo José Amaral de Figueiredo.

“O livro resgata as principais contribuições dos pesquisadores da área de pesquisa bíblica hoje, com relação a Paulo. Aqui no Brasil, é o livro mais atual, que traz os últimos conceitos, descobertas e as mais recentes provocações, que vêm diretamente da Europa, inclusive”, explica Fabrizio.

Livro sobre Paulo professor Fabrizio 2Além de organizador da publicação que reúne contribuições de autores brasileiros e europeus, o professor da FAVI também coordenou a tradução de um premiado texto de 670 páginas, chamado "Paulo e o dom", obra de uma das principais autoridades no assunto: John Barclay (Durham University - Reino Unido).

A obra foi lançada durante o VIII Congresso Internacional de Pesquisa Bíblica, promovido pela Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB), de 17 a 30 de agosto, em Curitiba. E colabora para os avanços referentes à Teologia Paulina e para a discussão dos desafios para a pesquisa na atualidade.

Sobre o organizador

Fabrizio Zandonadi Catenassi (do lado esquerdo da foto) é graduado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. É mestre e doutorando em Teologia, pela mesma instituição. Foi membro da diretoria da Red de Teologos y Teologas do CEBITEPAL (CELAM) e, atualmente, é membro da diretoria da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica. É colaborador do Setor de Universidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e um dos coordenadores da revista Estudos Bíblicos, da editora Vozes. Pastoralmente, assessora cursos para formação de leigos, diáconos e sacerdotes no Brasil, na América Latina e no Caribe.

 

Foto: Rosane Moreira

Foto: Jcomp - Freepik

A proximidade de uma data tão importante para a história do Brasil (marco da independência no dia 7 de setembro), somada às notícias recentes sobre o Museu Nacional do Rio de Janeiro e à abertura do período eleitoral, tem feito muita gente pensar ainda mais sobre o futuro do país e a participação política.

De origem grega, a palavra política vem do termo polis (cidade-Estado). E desde a Antiguidade, está ligada ao campo da atividade humana que se refere à cidade, à administração pública e ao conjunto dos cidadãos.

O conceito grego de política também está associado à ideia de bem comum e da ética como fundamento da vida em coletividade – algo que permanece como um ideal a ser alcançado em nossos dias.

Filosofia política

A partir da obra intitulada Política, de Aristóteles, passou-se a se falar também de filosofia política – que, entre outros aspectos, engloba reflexões sobre poder, Estado, regimes políticos e formas de governo, liberdade e participação das pessoas na vida pública. Temáticas que são discutidas há tanto tempo e que ainda são tão atuais e necessárias, frente às constantes transformações do mundo e do país em que vivemos.

Não é a toa que a disciplina de Filosofia Política faz parte da matriz curricular do segundo ano do curso de Filosofia da FAVI, como parte da formação daqueles que escolhem se dedicar aos questionamentos sobre os diversos temas que envolvem a vida e a sociedade. E também aprendem a reconhecer os direitos e deveres de cada cidadão.

É preciso ressaltar, no entanto, que a participação política é uma responsabilidade que compete a todos, não apenas aos filósofos. Principalmente neste momento de escolhas eleitorais. Mais do que nunca, faz-se necessária a busca de informação confiável, de conteúdos de qualidade e com múltiplas perspectivas, para uma visão ampla dos candidatos e suas propostas, assim como uma visão do que nós mesmos queremos para nosso país.

O corpo docente da Faculdade Vicentina agora tem mais um integrante com doutorado completo. Aluísio von Zuben defendeu sua tese sobre lógica e filosofia da linguagem no dia 3 de outubro, pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), na linha de pesquisa de Filosofia Analítica.

O estudo – intitulado “Leibniz, Frege e o Tractatus de Wittgenstein: da dificuldade de notação à transcendentalidade da lógica” – foi orientado pelo Dr. Bortolo Valle, que também faz parte do corpo de professores da FAVI. Além do orientador, a banca examinadora foi composta por: Dr. Léo Peruzzo Júnior, Dra. Viviane Castilho Moreira (UFPR), Dra. Cristina Del Carmen Bosso e Dr. Andrés Stisman – estes dois últimos, da Universidade Nacional de Tucumán (Argentina), participaram por videoconferência.

Prof. Aluísio 3“O elemento que tem alguma novidade, ao menos na literatura do Brasil, é a comparação entre a filosofia de Leibniz e a do Tractatus, relação que precisa ser mediada por Frege, no que concerne à lógica. Essas filosofias também guardam semelhanças no âmbito da ontologia. Como a teoria da significação da linguagem, no Tractatus, tem seu fundamento na igualdade de forma lógica entre mundo e linguagem, isto permitiu unir estes três filósofos na medida em que reunimos a ontologia à lógica, para explicar a linguagem”, expõe Aluísio.

E complementa, sobre a trajetória de pesquisa e os autores referenciados: “Frege é um pensador restrito ao objetivo de deduzir a aritmética da lógica, o que o obrigou a expandir sua análise também sobre a linguagem. Já Leibniz é um filósofo que trata de tudo, sua filosofia é um grande sistema onde encontramos toda a tradição grega e medieval, bem como tematizações da ciência de seu tempo. Isso exigiu abordar a teoria das categorias de Aristóteles e suas implicações sobre o problema tomista e escotista do princípio de individuação. Por seu turno, o Tractatus logico-philosophicus tem o objetivo de resolver os problemas da filosofia por meio do método analítico da linguagem, cujo princípio é falar claramente ou se abster quando a clareza não é permitida pelas restrições de significação. O resultado disso foi que, nesse livro, Frege fica parecendo um pensador que desenvolveu um enorme sistema, enquanto Leibniz parece não ter se dedicado a quase nada. Efeito de ter Wittgenstein se obstinado tanto a aperfeiçoar a notação lógica, com muitos comentários e propostas de solução para aqueles problemas, e negado a possibilidade de toda metafísica, por impossibilidade de significação de suas proposições. Por fim, tratamos da transcendentalidade da lógica”.

“Gostei muito de fazer esta pesquisa, embora tenha sido muito trabalhosa, mas, como diz o povo com muita propriedade: ‘quem corre por gosto não cansa’”, conta o novo doutor.

Confira, abaixo, o resumo do trabalho.

Resumo da tese

Stegmüller afirmou que Wittgenstein, no Tractatus logico-philosophicus, dá tratamento inadequado a muitos termos filosóficos, como “substância” e outros, revelando seu desconhecimento da tradição da filosofia, o que, paradoxalmente, tornaria a obra mais facilmente compreensível para os amadores do que para os profissionais. Nossa tese consiste em mostrar que Wittgenstein teve conhecimento suficiente da tradição filosófica, sem o que não se poderiam colocar os problemas que se dispôs a enfrentar, e que seu tratamento dos termos decorre do rigor de seu método, consistente em usar a linguagem respeitando-se seus limites de significação, apresentados por meio de sua teoria da afiguração, cujo fundamento é a igualdade de forma lógica entre mundo, pensamento e linguagem. Este isomorfismo lógico pode ser mostrado por meio de uma notação lógica adequada, o que foi elaborado pelos desenvolvimentos da Conceitografia de Frege como efetivação de um ideal de Leibniz, cuja metafísica abrange temas tradicionais da filosofia grega e medieval, particularmente sua Monadologia, apresentando elementos de semelhança com a ontologia do Tractatus, tais como as concepções de espaço e tempo, espaço lógico e mundos possíveis, a relação entre necessidade e contingência e a negação da causalidade. A igualdade de forma lógica entre linguagem e mundo foi primeiramente sistematizada, embora não nestes termos, pela teoria das categorias de Aristóteles, cuja lógica adotou o modelo gramatical de sujeito-predicado e que se manteve até o novo modelo apresentado pela Conceitografia de argumento-função, decalcado da aritmética, permitindo a criação da notação lógica idealizada por Leibniz, mas obstruída pelo tradicional padrão aristotélico apegado à linguagem natural. Este vínculo de Leibniz com a memória aristotélica pôde ser evidenciado pela aproximação entre a teoria de Leibniz, da presença do predicado na noção do sujeito nas proposições verdadeiras, tanto idênticas como contingentes, enraizado na concepção leibniziana de substância individual e na dupla interpretação aristotélica dos termos, e conceitos, em bases de intensão e extensão, bem como os problemas do transcurso, ou descensus, do universal ao singular, a exemplo da discutível legitimidade do modo Darapti, quando confrontado aos diagramas de Venn, e justificado por meio dos recursos da suppositio e ampliatio dos medievais. Tematizações decorrentes da noção de substância primeira e segunda de Aristóteles, ilustrativas dos insuperáveis problemas aos quais os filósofos foram inevitavelmente enredados por sua adesão à estrutura sujeito-predicado. As virtudes da notação conceitográfica foram expostas, principalmente, por meio de sua solução do significado de “verdadeiro” e “existência”, bem como pela análise da fórmula (69), com o que se evidenciou a autonomia da lógica relativamente ao mundo e aos portadores de ideias, possibilitando a Wittgenstein identificar o espaço lógico e declarar a transcendentalidade lógica, manifestando o rigor de seu método e razão de seu tratamento de termos como “substância”, alvo da infeliz reprovação de Stegmüller.

Luiz Balsan, professor da Faculdade Vicentina, acaba de publicar a obra intitulada Teologia Pastoral. À luz da teologia do Bom Pastor, amplamente elaborada pela literatura bíblica, o autor apresenta a ação pastoral nas suas dimensões de ciência e arte.

Prof. Luiz Balsan Livro Teologia PastoralA obra faz parte da série Princípios de Teologia Católica e está disponível no site da editora Intersaberes.

O corpo docente da FAVI celebra mais esta conquista, que representa a importância que a produção científica tem na instituição e colabora com a partilha de conhecimento.

Sobre o autor

Professor Luiz possui graduação em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, graduação em Filosofia pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira, mestrado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, mestrado em Ciências da Educação pela Università Pontificia Salesiana e doutorado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Além de lecionar, atua como coordenador do curso de Filosofia e da pós-graduação na Faculdade Vicentina. Pesquisa, principalmente, as áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia e Ética.

A Faculdade Vicentina comemora a publicação de mais um livro escrito por um integrante de seu corpo docente. Jean Calas: no tribunal da intolerância é de autoria do professor Edimar Brígido e faz parte da coleção “Grandes julgamentos da história”, coordenada por Luiz Eduardo Gunther e Marcelo Bueno Mendes.

“O que me motivou a escrever a obra foi o crescente ativismo judicial que estamos assistindo nos últimos anos, especialmente no Brasil. A obra demonstra que o judiciário, quando influenciado por forças políticas ou religiosas (como no caso de Jean Calas), acaba por promover o oposto à justiça”, conta o autor.

“A pesquisa histórica foi realizada em seis meses, em textos em francês do século XVIII. A análise e a construção da obra durou mais seis meses, totalizando um ano de trabalho”, relata Edimar.

O livro já está disponível no site da Juruá Editora. E a partir de agosto, também poderá ser encontrada nas principais livrarias da cidade.

Sinopse da obra

Como um trovão irrompendo na serenidade de um belo dia, Voltaire denunciou um caso de injustiça que dizimou uma família inteira e marcou a sociedade francesa, nas últimas décadas que precederam a Revolução de 1789.

Um caso seminal de julgamento e condenação de um inocente, sob o ardiloso manto do cumprimento da justiça, motivado pela intolerância, pelo fanatismo religioso e pelo clamor das massas que perversamente ocupavam as ruas em forma de protesto.

Nesse solo de horrores, onde muitas vezes prevalecem o obscurantismo e a superstição, em prejuízo da razão e do bom senso, o filósofo iluminista lança um forte manifesto em defesa da verdade, da tolerância universal, da liberdade individual e da justiça. Jean Calas, pequeno comerciante da cidade de Toulouse, foi condenado a pena capital no conturbado ano de 1762. Seu único crime, ao que tudo indica, foi professar uma fé diferente daquela que era professada pela maioria.

A obra encontra-se ancorada em uma análise filosófica que expõe a fragilidade do sistema de justiça francês, propondo uma reconstrução das imediações e das motivações que serviram de palco para o julgamento que resultou em um dos maiores erros judiciais da história moderna.

Sobre o autor

Edimar Brígido é graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, com Especialização em Ciências da Religião pela Facel, e Especialização em Filosofia com ênfase em Ética pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. É mestre e doutor em Filosofia pela mesma universidade. Atualmente, tem trabalhado com as disciplinas de Direito e Filosofia, Filosofia da Linguagem, Filosofia da Ciência, Filosofia da Natureza, Ética e Seminário de Pesquisa Científica.

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