Na última sexta-feira, 29 de janeiro, os professores e funcionários da FAVI participaram de uma atividade de preparação para o ano letivo de 2021. Eles se reuniram virtualmente para uma palestra com a Ir. Carolina Mureb, sobre a importância da educação vicentina nos tempos atuais e o Pacto Educativo Global.

Ir. Carolina é Filha da Caridade e trabalha na Rede Vicentina de Educação. Possui formação nas áreas de Pedagogia e Teologia. E coordena a Comissão de Educação da Província do Rio de Janeiro. 

“Para mim é sempre uma alegria poder partilhar a experiência dos estudos e reflexões sobre o carisma vicentino”, afirmou a convidada.

Palestra Ir. Carolina Pe. IlsonUma trajetória repleta de significados

No início de sua fala, Ir. Carolina recordou aos presentes a origem das obras da Congregação da Missão, bem como dos primeiros ramos da Família Vicentina, a partir das iniciativas de São Vicente e Luísa de Marillac. 

Desde a inspiração carismática, a finalidade principal era o serviço aos pobres, doentes e camponeses – considerando que as necessidades dos pobres são múltiplas, tanto corporais quanto espirituais. 

Dessa forma, a primeira instituição educativa vicentina surgiu na casa de Luísa de Marillac, para meninas que não tinham condições de receber instrução. E desde essa época, já eram características essenciais: a centralidade no acolhimento, a luta pela dignidade humana, a defesa de direitos e a busca por justiça social. 

Chamado do Papa Francisco

Ir. Carolina também apresentou os principais tópicos de discussão e ação que o Papa Francisco propõe desde 2019 e que resultaram no Pacto Educativo Global, que envolve universidades católicas do mundo inteiro. 

Cabe à educação, por exemplo, propor um novo modelo antropológico, levando em conta a relação com a vida, a sociedade e a natureza. 

Outro aspecto destacado foi o conceito de discernimento. Isto é, um processo contínuo para estimular boas escolhas e o bom uso da liberdade pessoal, tendo em vista o bem coletivo. 

Além disso, a partir dos compromissos que o Papa propõe para a educação e das rápidas transformações do mundo atual, Ir. Carolina ressaltou o papel da educação vicentina para a formação de cidadãos conscientes e atuantes. 

Inspirada em São Vicente de Paulo, seu patrono, a Faculdade Vicentina busca a promoção integral do ser humano. Coloca essa missão em prática por meio de uma educação superior de qualidade, realizada por profissionais competentes, aberta a toda a comunidade, tendo em vista formar cidadãos comprometidos com o desenvolvimento ético, social, cultural e político da sociedade e com o cuidado do planeta.

Para saber mais sobre os princípios que norteiam a educação vicentina, confira a entrevista com o Pe. Joélcio Saibot, diretor de ensino da Faculdade Vicentina, membro da Congregação da Missão Província do Sul e pároco da Paróquia Nossa Senhora da Anunciação (Colônia Dom Pedro II - Campo Largo).

Em que se difere a educação vicentina de outros métodos de educação? 

Pe. Joélcio: A educação vicentina tem como objetivo ajudar na formação para a vida, além da formação para o mercado. Ela é pautada nos valores cristãos, por meio do carisma vicentino. Uma pedagogia criativa, participativa, personalizante, que promove o senso comunitário; aberta ao diálogo, sempre atenta às situações particulares em que se encontram os educandos; libertadora, que oferece contribuições para tornar a sociedade mais democrática e fraterna (educação para a justiça); uma pedagogia que faz da escola um lugar de diálogo entre fé e vida, entre ciência e fé, de tal modo que a pedagogia e o ambiente favoreçam e incentivem o crescimento harmônico de todas estas dimensões.

Ela prepara o aluno de forma diferenciada para sempre buscar o melhor em termos de educação? 

Pe. Joélcio: A educação vicentina busca oferecer uma educação holística para os alunos, ou seja, ver a vida de um modo integral. Priorizamos uma educação na qual o aluno possa ser protagonista na busca dos conhecimentos acumulados na história da humanidade. Esses conhecimentos deverão ajudar a construir uma visão de mundo e pessoa integral: ser biopsicossocial e espiritual. É uma educação que busca dialogar com as situações do nosso tempo: sustentabilidade, respeito, cultura e promoção humana. 

Quais são os princípios básicos da educação vicentina?

Pe. Joélcio: Educação capaz de questionar a realidade social existente, transformando-a numa convivência mais humana e democrática; a consciência do valor moral da liberdade e o empenho de cada um em harmonizar a liberdade de todos; a busca por uma educação que seja acessível a todos; olhar para os educandos como sujeitos, ajudando-os a desenvolver a consciência da dignidade humana e da autoestima, trabalhando conteúdos que evitam qualquer discriminação, tanto na família como na sociedade.

Aluno Rafael 1Em agradecimento pelo encerramento de mais um ano letivo, o estudante Rafael Cordeiro, que está indo para o terceiro ano da graduação em Filosofia na FAVI, escreveu um depoimento sobre a experiência vivenciada em 2020. Confira:

“Este ano, a conclusão do ano letivo foi muito diferente, diversas mudanças, o aprendizado remoto, os desafios, lutas, adaptações, sofrimentos, muitas noites e madrugadas em claro estudando e revendo as vídeoaulas, uma pandemia que se tornou o “novo normal” e nos desestabilizou organicamente. 

Porém, diante de tudo isso, a graça aconteceu. O esforço aumentou, a dedicação também, a oração e as coisas foram se ajeitando. 

Enfim, nos reinventamos para poder sobreviver e dar continuidade em nossa caminhada. 

Quero agradecer a Deus e a todos que corroboraram para que tudo se completasse de modo muito harmônico e positivo. Mesmo diante de tantas limitações, conseguimos vencer. Saibam que a oração de vocês foi essencial. Deus nos abençoe sempre mais”.

Com o intuito de dar subsídios para repensar a catequese para o futuro que está por vir, Pe. Eliseu Wisniewski (membro da Congregação da Missão - Província do Sul, professor da Faculdade Vicentina, mestre e doutorando em Teologia) escreveu um artigo sobre a obra "Depois da pandemia, que catequese?". O autor do livro é Javier Díaz Tejo, diretor de Pesquisa e Publicações do Instituto Escuela de la Fe da Universidad Finis Terrae. 

"A pandemia do coronavírus transformou a vida em todas as suas expressões. Mudou a forma de viver, de pensar, de comunicar-se. Mudou também a forma de transmitir/comunicar a fé. Como repensar a catequese diante dos efeitos devastantes da COVID-19?", questiona Pe. Eliseu, como ponto de partida para a reflexão.

Clique aqui para acessar a resenha completa sobre a obra. O conteúdo está disponível no site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).

O professor Léo Peruzzo Júnior lançou, neste mês de dezembro de 2020, sua mais recente obra pela editora CRV, intitulada “Cognição, Linguagem e Realidade”. O livro é organizado em parceria com Laura Candiotto, investigadora na Freie Universität, em Berlim.

A publicação, que faz parte da Coleção Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas, se propõe a investigar não somente o lugar ocupado pela cognição no mundo, mas como podemos vivenciar nossa própria condição humana por meio dela, elucidando alguns labirintos conceituais relacionados ao tema. 

Segundo Peruzzo, “as fronteiras entre cognição, linguagem e realidade têm despertado, cada vez mais, a consolidação de um espaço particular na história da filosofia e nas ciências cognitivas, sobretudo se considerarmos o tratamento que a questão recebeu a partir do enclausuramento da primeira aos limites da estrutura cerebral. Por isso, um dos principais desafios de investigação não se remete apenas em saber o lugar que a cognição ocupa no mundo mas como, a partir dela, temos a possibilidade de experienciar a nossa própria condição de seres humanos”.

O segundo volume da coleção, que conta com pesquisadores(as) de trinta Universidades brasileiras, será lançado no segundo semestre de 2021, com o título “Tendências contemporâneas de Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas”.

Sobre o autor

Léo Peruzzo é pós-doutor em Filosofia pela Università Ca´ Foscari, Venezia (Itália), e doutor em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Editor-chefe da Aurora Journal of Philosophy e professor da Faculdade Vicentina e da FAE Centro Universitário. É autor das obras “Filosofia da Linguagem” (2016), “O que pensam os filósofos contemporâneos? Um diálogo com Singer, Dennett, Searle, Putnam e Bauman” (2017), “Realidade, Linguagem e Metaética em Wittgenstein” (2018), entre outras.

Na tarde do dia 4 de dezembro de 2020, uma Missa em Ação de Graças marcou a conclusão de mais um ciclo de vida para os formandos dos cursos de graduação em Filosofia e Teologia da Faculdade Vicentina. 

A celebração foi realizada na Paróquia São Vicente, em Curitiba, e presidida por Dom Celso Antônio Marchiori, bispo diocesano de São José dos Pinhais.

Ao final da missa, também foi realizada a colação de grau dos novos bacharéis. 

“Creio ser de suma importância poder celebrar e agradecer a Deus a caminhada realizada neste ano de 2020 por toda a comunidade acadêmica da FAVI. Foram momentos desafiadores, nos quais todos buscaram responder com generosidade e comprometimento para que nosso processo formativo tivesse êxito. A Celebração Eucarística é o ápice e o centro da Vida Cristã. Por isso, por sermos uma instituição fundamentada nos valores evangélicos, não poderíamos deixar de celebrar agradecendo a Deus a caminhada feita e as conquistas realizadas por cada um desses nossos alunos”, afirma Pe. Ilson Hübner, diretor geral da FAVI. 

A missa e a colação de grau foram transmitidas ao vivo pelo canal da FAVI no Youtube, confira a gravação:

 

Andrés MottoO segundo dia (29 de outubro) do XLI Simpósio de Filosofia e o VII Simpósio de Teologia da Faculdade Vicentina, realizado virtualmente, começou com uma apresentação cultural gravada por Guilherme Costa Fernandes. 

A primeira conferência da manhã contou com uma presença internacional: o padre argentino Dr. Andrés Román María Motto (CIF-Paris), membro da Congregação da Missão. Em espanhol, ele aprofundou o tema "Fe y Conocimiento: sus encuentros y sus desencuentros. Una mirada desde la historia del pensamiento”. Passando por diferentes momentos históricos, pensadores e traços culturais, o palestrante provocou reflexões sobre a relação entre os documentos da Igreja e o dia a dia, bem como sobre a importância do diálogo.

“Quando somos minoria, pedimos tolerância e diálogo. Na medida em que nos tornamos maioria, o diálogo não é mais considerado necessário. Isso se deu em alguns setores cristãos”, pontuou Pe. Andrés, que ressaltou o quão rico é processo dialógico, para que a Igreja possa se conhecer melhor e se reconhecer. E para trazer mais fraternidade e construir um mundo melhor. 

Em sua arguição, o professor Ms. Thiago Onofre, integrante do corpo docente da FAVI, também chamou a atenção para o importante papel dos padres ao longo da história, no exercício do diálogo, baseado no saber e na escuta. 

Premiação do Concurso de Fotografia

Logo após o intervalo, todos os presentes na sala virtual puderam apreciar o número musical, com a voz de Mel Fernandes.

Em seguida, o acadêmico Jordhan Gularte Francisco, do 3º ano de Filosofia e vice-presidente do Diretório Acadêmico Kairós, realizou a cerimônia de entrega de Menção Honrosa aos participantes do Concurso de Fotografia 2020, que teve como tema “O que os olhos podem ver: esperança em tempos de pandemia”.

Confira as dez primeiras colocações:

1º - Gustavo Cortesi Madureira
2º - Rafael Cordeiro Goulart
3º - Frei João Elias N. Oliveira
4º - Kater Vinicius dos Santos
5º - Andrey Oliveira Silva
6º - Waleiska Fernandes Figueiras
7º - Lucas Cardoso da Silva
8º - Felipe Teider de Godoi
9º - Bruno Fabiano Lira
10º - Samira Mostefaga Folmer

Prof. Fernando Dias AndradeReflexões a partir de Espinosa

A segunda conferência da manhã foi ministrada pelo professor Dr. Fernando Dias Andrade (UNIFESP), intitulada "Espinosa: a Filosofia contra a Teologia, mas em defesa da Religião”. 

“É a primeira vez que falo, ao mesmo tempo, em um Simpósio de Filosofia e de Teologia. É um desafio muito instigante”, afirmou o convidado no início da conversa. Ao longo da palestra, ele resgatou diversas ideias do filósofo Espinosa, mencionando pontos-chaves de suas obras. Por exemplo, o pressuposto de que teologia e religião não são a mesma coisa. E a defesa da prática da justiça e da caridade. 

Ao final da manhã, o professor Dr. Domenico Costella (FAVI) complementou a apresentação, comentando sobre o inovador método histórico crítico de Espinosa. A partir das perguntas dos ouvintes, os professores também traçaram paralelos possíveis com a realidade atual. 

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